O Quinto Império

Obra

em revisão

O Encoberto

Sampaio Bruno1904

domínio público

Sampaio Bruno não era misticista de tarantela, era filósofo de pulso firme. Quando dedica um livro inteiro ao Encoberto em 1904, está a fazer algo que ninguém havia feito completamente: uma filosofia da história de Portugal centrada na ideia de que a nação existe não como potência política passada, mas como promessa escatológica.

O livro é denso, argumentativo, cheia de referências. Bruno recupera tudo: a profecia de Bandarra, o mito de D. Sebastião, os textos de Vieira, a tradição espírita portuguesa que foi ganhando corpo. Mas não para canonizar um mito. Para extrair do mito a sua verdade: a de que um povo pode ter uma vocação que transcende a história comum, que o sacrifício não é derrota senão transfiguração.

No Quinto Império, Bruno representa a ponte entre o passado profético e a modernidade. Escrevia quando Portugal perdia ainda território colonial, quando a Monarquia despenha-se — e mesmo assim, ou precisamente por isso, desenha uma filosofia política em que o Encoberto não é figura mística, mas símbolo de uma transformação que está ainda por vir. Bruno acredita que Portugal há de ter uma segunda vida, um segundo nascimento. O livro é a apologia dessa fé.