O Quinto Império

Cronologia

Oito séculos, uma só linha.

A cronologia regista, ano a ano, os momentos em que o Quinto Império ganhou forma. Cada marco liga-se a um pensador, um conceito ou uma obra: segue a ligação para entrares na constelação.

  1. Século XII

    1. c. 1183–1202

      Joaquim de Fiore anuncia a Idade do Espírito

      Entre Casamari e a Calábria, o abade Joaquim de Fiore escreve as obras que dividem a história em três idades: a do Pai, a do Filho e a do Espírito Santo. A terceira, ainda por vir, é a raiz teológica de todo o mito.

      Joaquim de FioreA Era do Espírito Santo

  2. Século XIII

    1. séc. XIII–XIV

      O culto do Espírito Santo chega a Portugal

      As festas do Espírito Santo aparecem documentadas em Portugal nos finais do século XIII ou inícios do XIV, em circunstâncias ainda por esclarecer. A tradição, fixada por cronistas do século XVII, atribui a instituição à rainha D. Isabel e à vila de Alenquer; a lenda é mais antiga do que os documentos que a contam.

      A Era do Espírito Santo

  3. Século XV

    1. séc. XV

      As festas do Espírito Santo enraízam nos Açores

      O povoamento leva o culto do Espírito Santo para as ilhas, onde ganha a forma dos «impérios»: coroação, bodo e partilha. É a face popular do mito, viva até hoje, e consolida-se depois do terramoto de 1522.

      A Era do Espírito Santo

  4. Século XVI

    1. c. 1530

      As «Trovas» do Bandarra

      O sapateiro de Trancoso põe em verso a esperança de um rei que há-de vir. As «Trovas» circulam de mão em mão pelo menos desde 1531 e dão ao mito o seu primeiro rosto popular.

      Gonçalo Anes BandarraTrovasO Encoberto

    2. 1541

      Bandarra no tribunal do Santo Ofício

      A Inquisição de Lisboa processa Bandarra por causa das «Trovas» e das suas leituras da Escritura. Abjura em auto-de-fé a 23 de Outubro de 1541 e fica proibido de versejar sobre profecias; as «Trovas» continuam a correr manuscritas.

      Gonçalo Anes BandarraTrovas

    3. 1578

      Alcácer Quibir: o rei desaparece

      A 4 de Agosto de 1578, D. Sebastião desaparece na batalha de Alcácer Quibir, em Marrocos, sem corpo confirmado. Do desastre nasce a pergunta que vai alimentar o mito: e se o rei voltar?

      O Encoberto

    4. 1580

      A União Ibérica e o nascimento do sebastianismo

      Filipe II de Espanha toma o trono português depois da batalha de Alcântara (25 de Agosto de 1580) e é jurado rei nas Cortes de Tomar em Abril de 1581. Sem rei próprio, a esperança volta-se para o regresso de D. Sebastião: nasce o sebastianismo.

      O Encoberto

  5. Século XVII

    1. 1640

      A Restauração de 1640

      A 1 de Dezembro de 1640, um golpe em Lisboa aclama D. João IV e devolve a coroa portuguesa depois de sessenta anos de união ibérica. Para muitos, entre eles o Padre António Vieira, o novo rei cumpria as «Trovas» do Bandarra.

      Padre António VieiraTrovasO Encoberto

    2. 1659

      «Esperanças de Portugal, Quinto Império do Mundo»

      Do Maranhão, a 29 de Abril de 1659, Vieira escreve a carta «Esperanças de Portugal, Quinto Império do Mundo», lendo as «Trovas» do Bandarra como profecia verdadeira: D. João IV, morto em 1656, havia de voltar para fundar o império do Espírito.

      Padre António VieiraEsperanças de PortugalGonçalo Anes Bandarra

    3. 1663–1667

      O processo de Vieira na Inquisição

      Denunciado em 1663 por causa das «Esperanças de Portugal», Vieira é preso em Outubro de 1665 e sentenciado a 23 de Dezembro de 1667: privado de pregar e recluso. A sentença seria anulada em 1668, mas o sonho profético conheceu o preço do tribunal.

      Padre António VieiraEsperanças de Portugal

  6. Século XVIII

    1. 1718

      «História do Futuro», edição póstuma

      Vinte e um anos depois da morte de Vieira, sai em Lisboa a primeira edição da «História do Futuro», o livro em que o pregador quis escrever a história do que ainda não aconteceu: o Quinto Império como razão e destino.

      Padre António VieiraHistória do Futuro

  7. Século XX

    1. 1904

      «O Encoberto», de Sampaio Bruno

      O filósofo portuense Sampaio Bruno publica «O Encoberto», a primeira leitura filosófica e crítica do sebastianismo: o mito deixa de ser superstição e passa a problema de pensamento.

      Sampaio BrunoO EncobertoO Encoberto

    2. 1915

      «A Arte de Ser Português», de Teixeira de Pascoaes

      No auge da Renascença Portuguesa, Teixeira de Pascoaes publica o breviário do saudosismo: a saudade não como pena do que foi, mas desejo activo do que falta ser.

      Teixeira de PascoaesA Arte de Ser Português

    3. 1934

      «Mensagem», de Fernando Pessoa

      Pessoa publica o único livro que deu à estampa em português em vida. O império deixa de ser território e passa a símbolo: o de nada querer poder.

      Fernando PessoaMensagem

    4. 1969

      Agostinho da Silva regressa a Portugal

      Depois de duas décadas no Brasil, onde ajudou a fundar universidades, Agostinho da Silva regressa a Portugal em 1969. Traz consigo a leitura do Quinto Império como programa: a Era do Espírito Santo, para todos.

      Agostinho da SilvaA Era do Espírito Santo

    5. 1978

      «O Labirinto da Saudade», de Eduardo Lourenço

      Eduardo Lourenço publica a psicanálise mítica do destino português: um exame lúcido das imagens que Portugal faz de si próprio, sebastianismo incluído. Amar o mito, propõe, exige olhos abertos.

      Eduardo LourençoO Labirinto da Saudade

    6. 1978

      «A Nau e o Graal», de Dalila Pereira da Costa

      Dalila Pereira da Costa publica «A Nau e o Graal» e lê a história portuguesa como demanda espiritual: a nau das descobertas e o graal dos místicos na mesma viagem, que só se cumpre na união com Deus, alargada a todos.

      Dalila Pereira da CostaA Nau e o GraalA Era do Espírito Santo

    7. 1990

      As «Conversas Vadias» na RTP

      Entre Março e Maio de 1990, Agostinho da Silva conversa diante das câmaras da RTP1 ao longo de treze programas. O filósofo entra pelas casas dentro e leva consigo a Era do Espírito Santo, dita em língua de toda a gente.

      Agostinho da SilvaA Era do Espírito Santo

    8. 1993

      «515 – O Lugar do Espelho», de Lima de Freitas

      Lima de Freitas segue o número de Dante, o «cinquecento diece e cinque», de Pitágoras e da Cabala até aos painéis de Nuno Gonçalves, e lê-o como cifra do Império do Espírito Santo. Sai em francês em 1993 e em português em 2003.

      Lima de Freitas515 – O Lugar do EspelhoA Era do Espírito Santo