O Quinto Império

Obra

em revisão

Esperanças de Portugal

publicada primeiro como «Carta sobre as Esperanças de Portugal»

Padre António Vieira1659

domínio público

Quando Portugal perdia Brasil e perdia poder, quando a Restauração era ainda memória fresca de batalhas e mortes, Vieira escreve uma carta. Não de queixa. De esperança. Porque vê algo que seus contemporâneos não veem: o que parece derrota é preparação. O que parece despoderar é revelação.

A carta de 1659 é anterior à «História do Futuro» em forma, mas contém o seu mago: a segurança de que Portugal tem ainda um papel a cumprir. Não será poder militar nem riqueza económica — isso passa, e passou. Será palavra. Será o papel de guardiã de uma verdade que o mundo precisa ainda de ouvir: que há um Quinto Império, que não é de armas, que está por vir.

Vieira não prometia ilusões. Havia lido as Trovas, havia lido Daniel, havia rezado. Escrevia o que lhe constava. A carta é curta, mas densa: é a confissão de um homem que sabe mais do que lhe é permitido dizer abertamente, e que ainda assim diz. Por isso o Quinto Império a cita: porque nela ouve a voz de quem de facto acreditava que Portugal ainda tinha futuro.