O Quinto Império
A Era do Espírito Santo, gravura a ouro sobre azul-nocturno.

Conceito

em revisão

A Era do Espírito Santo

O que é a Era do Espírito Santo?

O que é a Era do Espírito Santo? É a terceira e última idade da história, tal como o monge calabrês Joaquim de Fiore a desenhou entre 1183 e 1200: depois da Idade do Pai (o tempo da Lei, o Antigo Testamento) e da Idade do Filho (o tempo da Graça, a Igreja), viria a Idade do Espírito, um tempo de liberdade e contemplação em que a letra da lei já não seria precisa. Fiore morreu sem a ver chegar; deixou-a como promessa, não como data marcada.

Essa promessa atravessou o Mediterrâneo e enraizou-se em Portugal por dois caminhos muito diferentes, duas faces da mesma moeda. Um é erudito: o sebastianismo, que corre pelos livros, pelas trovas do Bandarra e pela teologia de Vieira, à espera de um rei ou de uma leitura que cumpra o esquema da profecia de Daniel. O outro é popular, e vive-se, não se lê apenas: as festas do Império do Espírito Santo, tradição que só no século XVII se fixou por escrito e foi então atribuída à Rainha Santa Isabel e que continua viva hoje, sobretudo nos Açores e nas comunidades da diáspora.

Nessas festas, uma criança ou um jovem é coroado "imperador", com coroa de prata e ceptro; durante um dia ou um fim de semana a comunidade celebra, e no fim reparte pão e carne por quem tem menos, o chamado "bodo". A coroa não é para um rei de verdade: representa o próprio Espírito Santo, que reina sem se impor e sem precisar de trono. É uma coroa sem rei, porque quem governa nessa hora é a partilha, não a autoridade.

No século XX foi Agostinho da Silva quem tornou esta tradição num programa de vida, não apenas numa memória de família. Leu Joaquim de Fiore, leu as festas dos Açores e da diáspora, e viu nelas a prova viva de que a Era do Espírito Santo já começou em pequeno, todas as vezes que uma comunidade reparte o que tem sem olhar a quem. Para Agostinho, o Quinto Império não é uma promessa por cumprir num futuro distante: é um exercício que já se faz, sempre que se pratica a fraternidade em vez de a esperar.

É por isso que a Era do Espírito Santo é a terceira porta: onde a profecia de Daniel dá a arquitectura e o Encoberto dá o rosto, ela dá o calendário, a prova de que o mito já tem, em cada ilha e em cada terra portuguesa, uma data marcada no ano para se celebrar.

Página em preparação. O texto acima parte de factos estabelecidos e de tradição etnográfica documentada; a selecção final aguarda a validação do curador.