«Mensagem» é o único livro que Fernando Pessoa deu à estampa em português enquanto foi vivo, em 1934. Chamou-lhe primeiro «Portugal»; ficou «Mensagem», que em latim se lê como «men' agem» — os deuses agem por meio dos homens. Na escolha do título habita toda a sua teologia: não a história do que Portugal foi, mas a profecia do que tem ainda a ser.
São quarenta e quatro poemas em três partes: «Brasão», «Mar Português» e «O Encoberto». Não contam a história como ela foi; lêem-na como símbolo, à procura do sentido que ainda não se cumpriu. D. Afonso Henriques, D. Diniz, Camões — todos desaparecem, e no seu lugar brota a imagem de uma pátria que é menos terra e mais destino. É aqui que o Quinto Império deixa de ser conquista e passa a mistério, menos coisa política que espera do espírito.
Na terceira parte «O Encoberto» regressam o Bandarra e D. Sebastião, já não como figuras de crónica ou mito disperso, mas como sinais de uma espera que é ainda hoje. O império que a «Mensagem» anuncia não é de armas nem de riqueza: é o de «nada querer poder», o que se ganha renunciando, quando Portugal se entender não como nação mas como vocação do mundo.
