O Quinto Império

Obra

em revisão

Os Lusíadas

Luís de Camões1572

domínio público

«Os Lusíadas» não é uma crónica de navegação rimada. É uma teologia da história portuguesa enfiada num poema de dez mil linhas. Camões inventou um modo de contar que já não era medieval nem completamente renascentista: a viagem de Vasco da Gama não é apenas descoberta geográfica, mas cumprimento de uma promessa que Portugal desconhecia que havia feito.

A obra está dividida em dez cantos, e no Canto X — o último — o Gama alcança a Ilha dos Amores, onde Tétis lhe revela o futuro de Portugal. É aqui que se suspira a palavra que o Quinto Império depois recolhe: a de que Portugal existe para ser instrumento de algo maior, para entregar ao mundo não a sua riqueza mas a sua razão. O Encoberto aparece já em Camões, ainda que velado, como o sentido que a história portuguesa ainda não realizou completamente.

Camões morreu em miséria, longe dos triunfos que cantou. O facto revela o ponto: «Os Lusíadas» não louva a glória como memória, mas como vocação inconclusa. Por isso o Quinto Império a reivindica: não para a past, mas para o futuro que ela nos deixou.