António Quadros escreve nos anos 80 do século XX, quando Portugal já descolonizou, quando a Revolução do 25 de Abril entrou na história. Mesmo assim, retoma a questão: o que é Portugal? E a sua resposta é densa: Portugal é o lugar onde a razão ocidental e um mistério espiritual inconciliável tentam habitar o mesmo corpo.
O livro não é nostálgia. É análise. Quadros lê a história portuguesa não como série de acontecimentos, mas como diálogo permanente: entre o que Portugal quer ser (potência racional, nação moderna) e o que Portugal sente ser (vocação espiritual, portadora de uma verdade escondida). O Quinto Império não é para Quadros um mito esgotado, mas um símbolo ainda vivo dessa tensão irresolvida.
Quadros representa a modernidade da questão. Não escreve no séc. XVII com Vieira, nem no séc. XIX com Bruno. Escreve quando o mundo pensa estar além do mito. E mesmo assim, não consegue dispensar a pergunta que o Quinto Império formula: existe um destino de Portugal que transcende a política, existe uma razão mais profunda que explique a persistência dessa ideia através dos séculos. «Razão e Mistério» — exatamente isso: a razão de haver mistério, e o mistério que a razão não consegue dissipar.
