Obra
em revisãoO Labirinto da Saudade
publicada primeiro como «O Labirinto da Saudade (Psicanálise Mítica do Destino Português)»
Eduardo Lourenço1978
Eduardo Lourenço em 1978 faz algo radical: aplica psicanálise não a um doente, mas a uma nação. Pergunta: o que é a saudade portuguesa? E a resposta é que não é nostalgia, nem melancolia, nem um sentimento romântico a emoldurar-se em literatura. É a estrutura da psique portuguesa, o seu inconsciente colectivo: a memória de uma grandeza que não sabe como cumprir-se modernamente.
Lourenço não fala do Quinto Império directamente. Mas ninguém compreende mais profundamente o que o Quinto Império precisa de ser, porque Lourenço lê no português moderno (descolonizado, europeu, perdido) a mesma estrutura que move Bandarra, Vieira, Pessoa: a de que a história não terminou, que há uma promessa que não se cumpriu, que Portugal existe numa incompletude que o torna infeliz e o faz sábio.
O labirinto é a saudade. E Lourenço oferece um fio: compreender que a saudade não é maldição nem privilégio romântico, mas missão ainda aberta. Quando Portugal deixar de ser Sebastião perdido e se reconhecer como Encoberto em espera, compreenderá que a sua saudade foi sempre o grito de uma alma que sabe que tem ainda um papel a desempenhar na história do mundo.
