«Navegações» é o décimo primeiro livro de poesia de Sophia de Mello Breyner Andresen e o que mais directamente toca o mar da nossa constelação. Saiu em 1983, mas começou em 1977, quando Sophia foi a Macau falar de Camões nas celebrações do Dia de Camões; foi nessa viagem, disse ela, que encontrou o Oriente pela primeira vez, e foi desse espanto que os poemas nasceram.
O livro retoma a matéria de «Os Lusíadas», as naus, as ilhas, o mar aberto, mas muda-lhe o sentido. Não há aqui a crónica de uma expansão nem o elogio de um império. O que Sophia procura é o encontro: a descoberta do outro, daquilo que não somos nós, na velha acepção grega da verdade, «aletheia», o desocultar do que é. O mar continua a ser o protagonista, como em toda a sua obra, mas é um mar de atenção, não de posse; a linguagem é simples, carregada de luz, e cada poema é a tentativa de dizer com exactidão o que se viu.
É por isso que «Navegações» importa a quem pensa o Quinto Império. Sophia não escreve sobre o mito; escreve sobre o gesto de que o mito se alimenta, o de partir, e devolve-o à sua forma mais limpa: não a glória de ter chegado, mas a exigência de ver bem quem está do outro lado. A obra está protegida por direitos de autor; a Biblioteca Nacional mantém em linha uma exposição virtual dedicada à autora, com as suas «Artes Poéticas».
