«Le Roi du Monde» é o mais curto dos livros de René Guénon e o que mais viajou. Saiu em Paris em 1927, o mesmo ano de «La Crise du monde moderne», e parte de dois relatos que o próprio autor trata com cautela: a «Mission de l'Inde» de Saint-Yves d'Alveydre, publicada postumamente em 1910, e o «Bêtes, Hommes et Dieux» de Ferdynand Ossendowski, ambos a descrever um reino subterrâneo, o Agarttha, governado por um chefe que é ao mesmo tempo rei e sacerdote.
Guénon não pergunta se o Agarttha existe num mapa. Em doze capítulos curtos (o simbolismo do Graal, Melki-Tsedeq, o Omphalos, a localização dos centros espirituais), percorre as tradições hindu, hebraica, islâmica e cristã à procura da mesma figura, e conclui que todas apontam para uma «Terra Santa» por excelência, um centro espiritual a que todos os outros centros estão subordinados. Esse centro está hoje escondido, não perdido; e a Europa, diz ele, cortou há séculos o laço consciente que a ligava a ele.
Para esta constelação, o livro vale pela recepção. Guénon nunca escreveu sobre Portugal, mas o esquema (um rei oculto, um reino que espera a hora, guardiões templários, o Graal levado para o reino do Preste João) coincidia com o do Encoberto ao ponto de parecer feito para ele. Lima de Freitas cita «o Rei do Mundo» em «515 – O Lugar do Espelho»; Yvette Centeno aproxima dele o D. Sebastião de Pessoa. O texto francês está em domínio público e lê-se integralmente em linha; em português, saiu nas Edições 70.
