O Quinto Império

Obra

em revisão

Os Factores Democráticos na Formação de Portugal

Jaime Cortesão1930

«Os Factores Democráticos na Formação de Portugal» saiu em 1930, escrito no exílio, como abertura do primeiro volume da «História do Regime Republicano em Portugal», dirigida por Luís de Montalvor. São cerca de oitenta páginas, preparadas desde 1928 em artigos da «Seara Nova», e ficaram como uma das obras maiores da historiografia portuguesa do século XX. Reeditadas em livro autónomo em 1974, continuam a ser o texto por onde Jaime Cortesão se lê primeiro.

A pergunta é simples: de onde vem Portugal? A resposta de Cortesão vira as costas aos reis. A nação nasce das comunas do Norte, da organização social que permitiu às populações do litoral desenvolver um novo género de vida, o comércio marítimo à distância com base na agricultura; consolida-se nas burguesias dos portos e faz de Lisboa a metrópole de uma nação marítima. A revolução de 1383 é o ponto de viragem: com ela «Portugal entra na maioridade» e o Estado atinge a forma que lhe permite «resolver o grande problema da expansão da Europa e do conhecimento do planeta». Os Descobrimentos aparecem assim como o desfecho de um longo trabalho colectivo, e não como o capricho de uma dinastia ou de um infante.

Cortesão não escondia que procurava uma concepção democrática da história portuguesa; respondia apenas que o que importa, em qualquer ciência, é que as concepções sejam científicas. Para esta casa, o livro é o contraponto necessário à profecia: onde Vieira e Pessoa lêem o destino, Cortesão lê o trabalho de mãos anónimas que o tornou possível. É por isso que Eduardo Lourenço, meio século depois, ainda o tinha de atravessar para chegar à imagem que Portugal faz de si.