O Quinto Império

Obra

em revisão

Portugal Sobrenatural

Manuel J. Gandra2007

«Portugal Sobrenatural» saiu em Lisboa, na Ésquilo, em 2007, como primeiro volume de um projecto anunciado em três: 320 páginas e cerca de 1300 entradas, apresentadas pela edição como resultado de três décadas de pesquisa. O subtítulo diz o programa por inteiro: «Deuses, Demónios, Seres Míticos, Heterodoxos, Marginados, Operações, Lugares Mágicos e Iconografia da Tradição Lusíada».

É um dicionário, e é preciso lê-lo como tal. Não conta uma história de Portugal; desmonta-a em peças e arruma-as por ordem alfabética, cada uma com a sua fonte. Ali cabem os que a história oficial deixou à porta: os heterodoxos e os marginados, os seres das lendas de aldeia, os lugares a que o povo atribuiu poderes, as imagens (capitéis, gravuras, painéis) que guardaram sentidos que o texto perdeu. É o avesso do panteão: onde os manuais põem heróis, Gandra põe fichas.

Para esta casa, é uma obra de referência pelo motivo mais simples: o Quinto Império não vive só nos grandes textos. Vive também no Encoberto que se esperava numa manhã de nevoeiro, nas coroas do Espírito Santo que passam de casa em casa, nos profetas de feira e nas beatas que a Inquisição interrogou. O sebastianismo que aqui se encontra não é o dos doutores; é o das lendas, e sem ele a Era do Espírito Santo ficaria sem povo. Um inventário assim não é nostalgia: é o mapa do que herdámos, feito para que qualquer pessoa, em qualquer lugar, o possa consultar.

Ficha em preparação. Os dados de edição e o subtítulo estão verificados; a descrição do conteúdo parte da apresentação editorial e aguarda leitura integral pelo curador.