O Quinto Império
Manuel J. Gandra, gravura a ouro sobre azul-nocturno.

do nosso tempo

em revisão

Manuel J. Gandra

O mitógrafo: inventariou o Quinto Império peça a peça, do documento à lenda.

Quem é Manuel J. Gandra? O investigador que inventariou o Quinto Império peça a peça, do documento à lenda, e fez desse inventário o trabalho de décadas. Manuel José Gandra nasceu em Lisboa em 1953 e licenciou-se em Filosofia pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa em 1979. Ensinou no secundário e no superior (na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e, mais tarde, no IADE), coordenou os Serviços de Cultura da Câmara Municipal de Mafra entre 1989 e 2003 e dirigiu o Centro de Documentação e Informação de História Local de Mafra entre 2006 e 2010. Em 1997 fundou o Centro Ernesto Soares de Iconografia e Simbólica, que dirige; foi coordenador científico da Biblioteca António Quadros, no IADE, e em 2018 foi nomeado curador da biblioteca do Centro de Interpretação Templário de Almourol.

O método: o inventário

Onde outros leram o Quinto Império como profecia, símbolo ou programa, Gandra leu-o como arquivo. O seu campo é a chamada história mítica de Portugal e a sua geografia simbólica: as Ordens do Templo e de Cristo, o sebastianismo, o culto do Espírito Santo, o hermetismo, a iconologia da arte portuguesa. O trabalho consiste em ir buscar cada peça ao sítio onde está (um documento, uma gravura, um capitel, uma trova, uma lenda de aldeia) e pô-la ao lado das outras, com data, lugar e fonte. O Centro Ernesto Soares, em Mafra, é a forma institucional desse método: imagens, e o que elas querem dizer.

As obras que importam

«Da Face Oculta do Rosto da Europa: Prolegómenos a uma História Mítica de Portugal» (Hugin, 1997; reedição Arcano Zero, 2009) é o programa. «Joaquim de Fiore, Joaquimismo e Esperança Sebástica» (Fundação Lusíada, 1999) segue o fio que o título anuncia: das três idades de Joaquim de Fiore à esperança sebástica, isto é, à espera de um Encoberto que Bandarra trovou e Vieira pôs em teologia. «Os Templários na Literatura» (Hugin, 2000) e «O Projecto Templário e o Evangelho Português» (Ésquilo, 2006) juntam os dois nomes que os títulos anunciam: a herança templária e um evangelho português. «Portugal Sobrenatural» (Ésquilo, 2007) é o dicionário: deuses, demónios, seres míticos, heterodoxos, lugares mágicos e iconografia da tradição lusíada, entrada a entrada. Vieram depois «Astrologia em Portugal: Dicionário Histórico-Filosófico» (2010) e «Hermetismo e Iniciação» (Zéfiro, 2015).

O lugar na constelação

Se Dalila Pereira da Costa leu a mística portuguesa por dentro, Gandra inventariou-a por fora: a mesma tradição, vista uma vez pela experiência e outra pelo documento. A constelação precisa das duas. Sem o inventário, o mito flutua; com ele, cada estrela desta carta tem ficha, data e fonte. É também isso que ainda nos falta cumprir: conhecer, peça a peça, o que herdámos, para o dar a todos.

Página em preparação. O texto limita-se a factos de bibliografia e de fontes públicas, sem citações por confirmar; a página aguarda a validação do curador e a confirmação do próprio autor.

Constelação local

Estas são as estrelas mais próximas de Manuel J. Gandra no céu do Quinto Império.

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