O Quinto Império

Obra

em revisão

515 – O Lugar do Espelho

publicada primeiro como «515, le lieu du miroir. Art et numérologie»

Lima de Freitas1993

«515, le lieu du miroir. Art et numérologie» saiu em Paris, na Albin Michel, em 1993. A edição portuguesa, «515 – O Lugar do Espelho», com prefácio de Gilbert Durand, só chegou em 2003, pela Hugin, cinco anos depois da morte do autor, integrada nas suas obras completas. O ponto de partida é o verso do «Purgatório» em que Beatriz anuncia «un cinquecento diece e cinque, messo di Dio»: um número, DXV, que os leitores de Dante andam há séculos a tentar converter em nome.

Lima de Freitas não o converte em nome: converte-o em espelho. O 515 lê-se dos dois lados, e o pintor vê nisso a cifra do homem (5) de cada lado do divino (1). A partir daí o livro é uma viagem: Pitágoras e a Cabala, a «Melancolia» de Dürer, a iconografia egípcia, os vitrais e as gravuras da Idade Média, e Portugal por toda a parte: os painéis atribuídos a Nuno Gonçalves, com cinco figuras de cada lado da figura central; um quadro do Mosteiro da Madre de Deus onde o «1515» se revelou «515»; o pórtico do Convento de Cristo, em Tomar; os bancos da Quinta da Regaleira, em Sintra.

O que o número diz, para ele, é o que Joaquim de Fiore e Vieira disseram com outras palavras: que há um Império do Espírito Santo por vir, e que Portugal, com os seus Templários, o seu Preste João e o seu culto do Espírito Santo, o guardou em imagens. Guénon tinha parado no mesmo verso, em 1925, e lera nele apenas um aspecto da ideia de Império de Dante; Lima de Freitas dá-lhe um país. É um livro de pintor: argumenta com imagens, e é por isso que convence quem o folheia antes de quem o lê.