O Quinto Império

Obra

em revisão

Poesia e Filosofia do Mito Sebastianista

António Quadros1982

«Poesia e Filosofia do Mito Sebastianista» é o livro em que António Quadros faz o inventário do sebastianismo antes de lhe dar sistema. Saiu em Lisboa, na Guimarães Editores, em dois volumes: o primeiro, «O Sebastianismo em Portugal e no Brasil» (1982), recolhe e comenta a poesia do mito, das «Trovas» do Bandarra aos poetas do século XX, e segue-lhe o rasto do outro lado do Atlântico, onde o rei ausente continuou a reaparecer; o segundo, «Polémica, História e Teoria do Mito» (1983), discute os que o combateram, reconstrói a sua história e propõe uma teoria.

A teoria é o que importa. Quadros distingue duas maneiras de viver um mito. Uma é a espera: o mito absolutiza-se em utopia, o país senta-se a aguardar o regresso de alguém e, entretanto, definha. A outra é a acção: o mito lê-se como razão de agir, e devolve a quem o lê a iniciativa, a liberdade e o valor do trabalho de todos os dias. É esta segunda leitura que ele defende, contra os que só viam no sebastianismo uma doença nacional e contra os que só viam nele uma devoção.

Para o Quinto Império, o livro é a antecâmara de «Portugal, Razão e Mistério»: aqui está o Encoberto lido à luz de uma exigência universalista, e aqui está já a ideia de que Fernando Pessoa, na «Mensagem», tinha levado o mito ao ponto em que ele deixa de pedir um rei e passa a pedir uma obra.